INCAPACIDADE (1).fw

Qual a diferença entre incapacidade e limitação?

Texto de Keila Motta Revisão de José Carlos Morais   Há dez anos trabalhando com pessoas com deficiência pude perceber certa confusão entre os significados de limitação e incapacidade em conversas com pessoas sem deficiência. Seriam sinônimos? Resolvi me debruçar sobre o tema. E como primeiro passo fui ao dicionário e descobri que são muito diferentes. Limitação – servir de limite, pôr limites a alguém ou alguma coisa, demarcar, restringir, moderar, aprazar, confinar. Incapacidade – falta de capacidade, inaptidão, inabilidade. Na sequência quis entender de onde vem essa confusão. Sabemos que historicamente as pessoas com deficiência durante milhares de anos foram consideradas incapazes, a ponto de serem eliminadas assim que a deficiência fosse detectada. Até um passado bem recente em determinados povos isso ainda era praticado. E muitos relatos atuais, pelo desconhecimento, pessoas com deficiência são considerados incapacitados. Sem dúvida, essa expressão negativa carreada durante séculos estigmatizou esse grupo de indivíduos. Mas, compreendi também que a maioria das vezes a incapacidade é o resultado da relação entre as deficiências e as barreiras imposta pelo meio que vivemos. O exemplo do cadeirante e sua relação com a escada e com a porta estreita é clássico. O cego se tiver aplicativos para “traduzir” textos em computadores faz desaparecer a sua incapacidade. Por isso, me animei muito ao estudar o Conceito de Desenho Universal. Seu objetivo é o de construir projetos, produtos e ambientes para serem usados por todos, na sua máxima extensão possível e sem necessidade de adaptação ou projeto especializado para pessoas com deficiência. Neste conceito fica claro que existe um abismo entre limitação e incapacidade, e que o ambiente interfere diretamente na inabilidade, ou não, das pessoas. E a limitação? Já a limitação é inerente ao indivíduo. Habilidades para o esporte, o didatismo ao expor um tema, entre tantos exemplos. Todos nós sabemos de nossos potenciais e limitações. A deficiência, principalmente a física, pode transmitir uma limitação aparente, mas não pode ser considerada como barreira. Ela deve ser vista como mais uma característica da pessoa. Portanto vamos trocar a pergunta. Ao invés de nos perguntarmos, “o que está pessoa consegue fazer” para “que potenciais essa pessoa tem”? Finalizo, ao chegar à conclusão que esse desentendimento entre limitação e incapacidade vem de outro tipo de barreira invisível, mas muito mais ofensiva e desumana, a barreira atitudinal. O comportamento em não dar oportunidade para pessoas com deficiência de mostrar suas capacidades é…

dissecando-azul

Episódio 2 – Mobilidade reduzida

Por José Carlos Morais “É só um instantinho”! Quem já não ouviu essa irritante desculpa de quem estaciona o carro em vagas destinadas às pessoas com mobilidade reduzida. São inúmeras as causas desse desrespeito e não perderei tempo aqui para enumerá-las. Certa feita expliquei, com a paciência que ainda possuía para esses assuntos, que centenas de instantinhos era como se a vaga estivesse ocupada o dia inteiro. E assim, quando alguém com direito ao estacionamento tentasse parar seu carro, a vaga estaria um dos instantinhos ocupada. Não sei se entendeu e se passou a respeitar, mas fiz minha parte. Quando morei em Los Angeles, tirei carteira de motorista e emplaquei meu carro. Como consequência do carro adaptado, recebi uma placa amarela de plástico onde constava impresso em azul o símbolo do acesso e a chapa do meu carro. Tinha um tamanho razoável, o suficiente para ser percebida de longe. Um dia, na pressa, estacionei na vaga devida e esqueci de deixar a mostra a bendita placa. Quando voltei, se quedava no limpador de pára-brisas uma multa no valor de 100 dólares pela infração cometida. Pasmem! Estava dentro de um shopping. Primeira lição – as vagas especiais são determinadas pelo poder público e cabe a ele zelar pelo seu uso. Na própria Universidade onde estagiei, volta e meio algum oficial multava os carros incorretamente estacionados. Enfim, no dia seguinte fui ao DMV, o Detran de lá. Orientado a recorrer da multa, reuni todos os documentos requisitados, como carteira de motorista, a tal placa amarela e a multa. Fiz minha defesa por escrito, anexei uma cópia “comum” dos documentos e duas semanas depois um cheque de 100 dólares aportou na minha casa pelo correio. Ao lado do insuportável mal educado que ocupa as vagas há uma categoria mais complicada – as pessoas com deficiência que não possuem mobilidade reduzida. Lembro que um dia perdi uma vaga por segundos. Traquejado pela vida, estacionei a poucos metros e permaneci no carro à espera da saída do motorista. Eis que então, deixa o carro um andante. Esclareci que era uma vaga destinada a pessoas com mobilidade reduzida. Fitou-me com desdém e não emitiu um som. Simplesmente bateu a porta do carro e exibiu o braço amputado como se fosse seu salvo-conduto. O Decreto Federal 5.296/2004 que regulamenta as Leis Federais 10.048 e 10.098/2000 é claro ao definir que o direito as vagas especiais é conferido…

monoculares

Os monoculares enxergam longe

Por José Carlos Morais No dia 7 de maio de 2019, a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) aprovou um privilégio. Esse termo, que comentei em outra crônica, não combina com as pessoas com deficiência. Mas tampouco, os indivíduos que perderam a visão de um dos olhos podem ser chamados de pessoas com deficiência e equiparados aos cegos e as pessoas com baixa visão. Portanto, parece que nesse caso combinam os ditos monoculares com privilégio. Muitos observadores de fora do mundo com deficiência devem achar estranho um cadeirante estar indignado com a decisão dos nobres deputados. Não sabem da missa a metade. O nosso movimento através de longas e pequenas batalhas conseguiu ao cabo de algumas décadas estabelecer algumas prerrogativas em forma de lei que procuram dar às pessoas com deficiência uma vida digna e competitiva. Vou ficar na Lei das Cotas, uma ação afirmativa cujo objetivo é amenizar essas diferenças. Servirá para defender e explicar o objetivo da NÃO inclusão dos indivíduos monoculares em nosso mundo. Ninguém escolheu fazer parte dele. Entramos de sócios nesse clube, vítimas da violência urbana, por doenças transmissíveis ou adquiridas para ficar só em alguns exemplos. Abram vagas e vamos ver quantas irão afiliar-se. Ninguém é óbvio. Enganam-se todos. Os monoculares querem entrar no ônibus e pelo visto sentar na janela. Afinal de contas e sem jogo de palavras, enxergam longe. É um absurdo, comentou Lilia em nosso grupo de discussão e acrescentou: “Creio que estamos, mesmo entre nós, em conflito sobre o conceito de deficiência. Os benefícios são para reduzir a falta de oportunidades para a grande maioria das pessoas com deficiência frente a uma sociedade exclusiva”. O que diz a lei? Já no seu artigo 10 deixa bem claro para que veio. “A visão monocular fica classificada como deficiência visual para todos os efeitos legais e no artigo 20– As pessoas com visão monocular após a publicação da presente Lei serão inseridas em todos os programas e benefícios destinados as pessoas com deficiência do Estado do Rio de Janeiro. Tomei a liberdade de pegar emprestado parte do manifesto assinado por várias entidades de pessoas com deficiência, inclusive o CVI-Rio, escrito por quem realmente vive a situação. “As pessoas com deficiência visual para a atividade de leitura e escrita necessitam de recursos de acessibilidade como o sistema de escrita e leitura Braille, letras ampliadas e com alto contraste e/ou tecnologias…

constituição-filtro

O que prevê a Constituição sobre acessibilidade para pessoas com deficiência?

O primeiro fato que precisamos pontuar aqui é que a inclusão de pessoas com deficiência é uma ação que já acontece em nossa sociedade. É verdade que ainda não é completa, mas hoje temos a consciência de que podemos e precisamos fazer mais. Com a inclusão sendo abordada na base da formação e informação, podemos dar um passo à frente e não falarmos mais nesse assunto sendo um conceito isolado que cria mecanismos e ferramentas para trazer ao núcleo social um grupo de pessoas que estão à margem desse processo. Queremos levantar agora uma outra questão, mais abrangente e, sem dúvida, primordial para ampliarmos nossos paradigmas: defender um mundo de acessos universais, sem segregações, um mundo para todos. Se entendermos que nenhum ser humano é igual ao outro e que ser normal é, exatamente, ser diferente, criar condições para que os ambientes contemplem toda a diversidade humana, desde as crianças, adultos altos e baixos, anões, idosos, gestantes, obesos, pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, será ponto pacífico em todo projeto. Mas, afinal, o que é a acessibilidade? Acessibilidade é um termo bastante amplo que perpassa várias áreas, inclusive o digital, mas aqui vamos focar na acessibilidade física que é dar condições para toda população de ter acesso aos diversos lugares, permitindo que todos – quando falamos em todos são todos mesmo -, participem de atividades que incluem o uso de produtos, serviços e informação, garantindo adaptação e locomoção, e resguardando o direito de ir e vir a todos os lugares. Pensar em acessibilidade é pensar que precisamos ampliar o conceito de mobilidade que está relacionada a quantidade de movimentos para uma consciência da importância da acessibilidade que está relacionada a possibilidade e qualidade de acesso, principalmente, quando pensamos nas cidades brasileiras. Quando abrimos nossas mentes nesse sentido: de quantidade para qualidade, tudo muda no urbanismo contemporâneo. A facilidade de acesso de pessoas a pessoas e pessoas a bens ou equipamentos se torna um dos conceitos centrais de qualquer planejamento, desenho e intervenção nas cidades. E o que prevê a Constituição? O Estado é o promotor dos direitos individuais e, consequentemente, dos sociais. Através de políticas públicas de inclusão por questões financeiras, econômicas e sociais, ou, por limitações motoras ou emocionais, o Governo tem a responsabilidade de criar condições para que as pessoas que enfrentam situações desiguais consigam atingir os mesmos objetivos dos demais cidadãos. Mesmo que isso não seja…

lei-brasileira1

Episódio 1 – Tratamento Prioritário

Por José Carlos Morais Um dia entrei no meu banco para sacar dinheiro. Uma agência do Banco do Brasil dentro do Hospital Universitário a poucos metros de minha sala. Havia uma fila para os caixas eletrônicos e fiquei no final. Logo que um caixa foi desocupado me chamaram para “furar” a fila. Agradeci e disse que permaneceria ali. Em vinte minutos estava fora do banco, quando um ex-aluno me disse: “Professor, não esperava outra atitude do senhor”. Agradeci e segui meu caminho. Essa história me assaltou a memória quando li a Lei Brasileira de Inclusão (LBI). Confesso que fiquei com uma série de incertezas e hesitações. Resolvi então dissecar a LBI numa visão muito pessoal e vou começar pelo Art. 9º, Do Atendimento Prioritário e logo comento o inciso II sobre a prioridade em relação às instituições e serviços de atendimento ao público. E o relato que inicia essa crônica é emblemático, em relação ao que a sociedade espera de nós. O olhar de minha aluna foi enxergar uma pessoa plenamente reabilitada que não tinha necessidade de passar os outros na fila do banco. Essa é a primeira grande questão, pois se queremos tratamentos iguais porque usar o tratamento prioritário quando é totalmente desnecessário? As pessoas não deficientes percebem isso e não gostam. Outro dia foi na fila de um restaurante. O encarregado me chamou para passar dos demais. Agradeci e permaneci no mesmo local. Embora, não fosse o meu objetivo, com certeza marquei pontos para a nossa causa. Também não vejo sentido não ficar na fila em eventos onde os lugares já são previamente marcados Entretanto, dou exemplos onde a preferência é preciso ser respeitada. O embarque no metrô é um deles. Se você não se posicionar no local determinado para a entrada das pessoas com deficiência, você não entra. Inclusive, está na LBI, no seu item IV que dispõe sobre a garantia de segurança no embarque e no desembarque nas estações e terminais acessíveis de transporte coletivo de passageiros. Em relação aos vôos não gosto de usar o termo prioridade. Como o nome diz está relacionado a algo que ocorre em primeiro lugar em relação aos demais, seja em questão de tempo ou de ordem. É sabido que embarcamos antes, mas no desembarque somos os últimos. Quantas vezes ao chegarmos ao setor de despacho das bagagens nossas malas rodam solitárias nas esteiras a nossa espera. Nada a reclamar,…

dia-internacional-pcd

Um dia para relembrar nossas conquistas!

Foto com um cadeirante escalando uma pedra e vibrando com a conquista.

MARIA-PAULA-TEPERINO

Tropeços do Movimento das Pessoas com Deficiência

É com grande alegria que publicamos o texto de nossa amiga Maria Paula Teperino que foi palestrado no Centro Integrado de Atenção à Pessoa com Deficiência – CIAD sobre os Avanços e Tropeços do Movimento das Pessoas com Deficiência. Leia até o final e nos dê sua opinião. Todos os anos, no dia 21 de setembro, comemoramos o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Este ano, fui convidada juntamente com José Carlos Moraes, atual presidente do CVI/Rio a falar num Encontro promovido pela Secretaria das Pessoas com Deficiência do Rio de Janeiro, cujo tema era, os avanços e tropeços do movimento, e o que esperamos para este século. Deixei a cargo do meu amigo e companheiro de tantos anos, Zé Carlos, falar sobre os nossos avanços, nesses mais de 40 anos de luta. Não foram poucos, pelo contrário, cada rampa que encontramos nas esquinas, cada sinal sonoro, cada transmissão com tradução para Libras, guarda um pouco do desejo de um grupo de pessoas, que no final dos anos 70 resolveu sair as ruas e dizer que também eram cidadãos, e queriam ver seus direitos garantidos. Porém, aproveitei o momento para falar dos nossos tropeços, do que aconteceu para que hoje em dia estejamos tão desmobilizados. Não tenho uma resposta, nem é o meu objetivo dar respostas. O que gostaria é de poder suscitar esse debate, e quem sabe assim, atrair outros antigos e novos companheiros à essa luta, que é, ou deveria ser, de um contingente enorme de pessoas, e de seus familiares. O Movimento das Pessoas com Deficiência no Brasil, embora date do final dos anos 70, somente em 1981 – quando a Organização das Nações Unidas institui aquele como o Ano Internacional das Pessoas Deficientes – se afirmou como um movimento de luta organizado. Um ano antes, ou seja, em 1980, aconteceu um grande encontro nacional em Brasília, onde diversas lideranças estatuais se reuniram pela primeira vez, levantando o que seriam as nossas principais reivindicações, a serem encaminhadas aos governos de todas as esferas, mas principalmente ao Congresso Nacional. O Brasil acabava de sair de um longo período de ditadura, e a sociedade civil começava a se mobilizar em torno de suas pautas. As minorias, podiam se reunir livremente para discutir suas reivindicações, e não foi diferente com as Pessoas com Deficiência. Foram realmente anos muito criativos e produtivos, como geralmente são os dias que despontam…

paraty-flip

Polêmica da FLIP

Só para vocês entenderem toda a polêmica da Flip, logo depois do evento, no dia 02 deste mesmo mês, Conrado Hübner, Doutor em Direito e Professor na USP, escreveu em sua coluna no site da Revista Época a nota “Flip proibida para cadeirantes”…leia toda a matéria e veja o posicionamento dos envolvidos.

Dia Nacional do Movimento de Vida Independente

Dia Nacional do Movimento de Vida Independente

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou a proposta que institui o dia 14 de dezembro como Dia Nacional do Movimento de Vida Independente. O dia 14 de dezembro de 1988 marca a fundação do Centro de Vida Independente do Rio de Janeiro (CVI-Rio), pioneiro na América Latina. Por isso, o dia é considerado como o nascimento do movimento no Brasil.

Mulheres-em-movimento

O universo feminino em pauta no Teatro Cacilda Becker

A programação de março de 2018 no Teatro Funarte Cacilda Becker foi inteiramente dedicada ao universo feminino, com destaque para iniciativas como o evento “Mulheres em movimento”, que foi composto por quatro rodas de debates e é tema deste vídeo….Continua

Por que somos invisíveis?

Por que somos invisíveis?

Este texto teve origem na minha fala no Evento “Diálogos Mulheres em Movimento – Da invisibilidade a transversalidade”, ocorrido no dia 07/03/2018, no Teatro Cacilda Becker, RJ. O convite partiu do CVI Rio, que promoveu o Evento em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Minha Mesa tratou do tema, “Corpo e Identidade do feminino”. Entretanto não me prendi a questão de gênero. Suscitei a partir de um olhar psicanalítico, algumas questões que julgo pertinentes a respeito da invisibilidade social das pessoas com deficiência…Continua

Diálogos-Mulheres-em-Movimento

Diálogos Mulheres em Movimento

Hoje podemos vibrar de alegria porque ontem realizamos um sonho: reunimos mulheres de vários lugares, etnias, ciclos de vida e diversidade sexual em um só lugar para debater sobre nosso protagonismo na sociedade brasileira. Isso foi fantástico! Lilia Martins, Vice-presidente do CVI-Rio, abriu o evento fazendo uma homenagem a nossa queridíssima Beth Caetano que nos deixou em janeiro deste ano e explicou os objetivos principais dessa iniciativa: comemorar os 30 anos da instituição e o Dia Internacional da Mulher…Continua

Beth Caetano

BETH, Cravo e Canela

Ao observar uma das fotos da Beth que estava a minha frente, tive a percepção nítida de que ela era a encarnação viva da Gabriela, personagem emblemática do escritor Jorge Amado, com sua pele morena, cor do Brasil; seus olhos da cor do mel, ao mesmo tempo doces e selvagens, e lábios carnudos de nossa negritude ancestral…Continua

Nota de falecimento

Nota de falecimento

Comunicamos  o falecimento de nossa presidente Beth Caetano que nos deixou inesperadamente no último sábado dia 13 de janeiro. É um momento de profunda tristeza para toda a equipe do CVI-Rio, amigos e parceiros que tiveram a oportunidade de desfrutar da convivência pessoal e profissional com a Beth.  Para a família nossos  sentimentos de pesar e energia para superar esse momento de dor e sofrimento. Vamos ter que conviver com essa lamentável perda, mas tendo a certeza que seu espirito guerreiro e batalhador estará conosco na busca de continuidade para criar, sonhar e desejar novos caminhos. 

Reinicio-370-x-270

Reinício

Reinício…hora de recomeçar. Repensar valores e tentar com as energias recarregadas tomarmos iniciativas diante das questões que o novo ano pode trazer. O momento é de recriarmos outras soluções para velhas demandas, é de investirmos em antigos e novos desejos. Acreditarmos mais e mais em nossos sonhos, fazendo um caminho diferente às vezes na mesma estrada…Continua

bolo-de-aniversario-10-1-title

Os 29 anos do CVI-Rio

O CVI-Rio completa 29 anos de fundação. Como falar destes 29 anos de história, sem falar em sonhos e projetos fortemente amparados por uma ideologia que sustentou êxitos e fracassos, acertos e equívocos, avanços e recuos? Certamente houve muito empenho e dedicação, além de trabalho, trabalho e mais trabalho pela satisfação e o prazer para o desafio da inovação e do pioneirismo de suas metas.

Feira Inclusiva 2017

Feira Inclusiva 2017

No apagar das luzes do desafiante ano de 2017, o movimento da pessoa com deficiência do Rio de janeiro foi brindado com um encontro corajoso no Parque Olímpico! O coração saudoso dos momentos marcantes em nossa cidade do ano de 2016, meus olhos atentos e sedentos procuravam em cada canto a magia dos momentos paralímpicos!…Continua

O Salto

O Salto

Ter que tomar decisão pode ser um ato de coragem. Nem sempre depende apenas da nossa determinação e desejo, mas também se mistura com a nossa escolha que traz muita dúvida na sua ação. O impulso que temos que dar para atingir o nosso objetivo pode ser enfraquecido por uma opinião ou incerteza alheias. Cada um tem a sua luz própria e sua energia, mas ninguém…Continua

Fora d'água

Fora D´agua

Os dias vão passando e interagir com empatia entre todos os meios, fica cada vez mais difícil. Para ficar mais fácil, é necessário…Continua

aluta-artigo-Beth

Bom Presságio

Será que essa semana que traz a primavera e o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, e que chegou cheia de sol, não seja um bom presságio?

Drogas e afeto

Drogas e afeto

Não sei para aonde vai o mundo, do jeito que as coisas caminham. Existe uma verdadeira banalização de valores, onde a violência é o carro chefe de nosso dia a dia. É só entrarmos em contato com a primeira página dos jornais diários e o que vemos, é praticamente uma apologia ao terror. Como o ser humano conseguiu chegar a este patamar de degradação social tão imensamente significativo?Até mesmo as crianças mais novinhas já têm consciência do fato de que nosso cotidiano é cercado de violência…Continua

Esperando o verão

Esperando o verão

A coragem de um dia de cada vez. Aí é que está. Desisti daquela mão medrosa de frio, diante do insistente despertador do …Continua

Estações

Estações

Agora o inverno começou a mostrar a sua cara de verão. Mesmo aqui, pela gávea, podemos avistar dias quentes na estação carioca, onde até outro dia, procurávamos as roupas mais pesadas no armário. Às vezes relembro as temporadas vividas pelo povo no deserto, quando durante o dia fritávamos ao sol, e sim, na mesma noite, tiritávamos de frio, pois é, a capital carioca é assim, carregada de altos e baixos. O interessante é que ao mesmo tempo, algumas amendoeiras mostram sua cara outonal, já que as cores…Continua

Estado das Coisas

Estado das Coisas

Entre uma crise e outra nossa reação deve ser de quem pensa proativamente no estado das coisas. Somos uma instituição que …Continua

A Acessibilidade como Componente da Inclusão

A Acessibilidade como Componente da Inclusão

Quero iniciar meu discurso a partir de um histórico do movimento político das pessoas com deficiência, complementando-se …Continua

A fábula

A fábula

Cheguei a ultrapassar em idade mais da metade de um século e como cadeirante tenho mais da metade de meio século. Então, …Continua

Ser atleta é... com Eduardo Savine

Ser atleta é… com Eduardo Savine

Rugby em cadeira de rodas. Porque é um esporte intenso que exige condicionamento físico e dá um grande aprendizado …Continua

Ser mãe é...com Inês Freitas

Ser mãe é… com Inês Freitas

Beth Caetano: Você desejava ser mãe um dia? Inês Freitas: Na verdade, eu nunca tive o desejo incontrolável de ser…Continua

Ser criança é...com João Emanuel

Ser criança é…com João Emanuel

E chegou o João… veio pesado, tão grande, no colo da mãe Maria do Socorro. Ela vem cansada, mas não deixa o…Continua

Tragédia cotidiana

Tragédia cotidiana

Notícias já não me atingem mais quem dera!!! Abandonei os noticiários locais e nacionais. Optei por ficar sitiada em mim. …Continua

Artigo Força e dor

Força e dor

Às vezes sentimos dor e escondemos para não parecer que somos chatos. Quando temos uma deficiência, não importa…Continua

Ser mãe é... com Valéria Aliprandi

Ser mãe é… com Valéria Aliprandi

Beth Caetano: Cite cinco coisas que você tem aprendido com a gravidez. Valéria Aliprandi: A primeira é que não existem “situações ideais…” Para mim tem sido tudo bem diferente do que um dia imaginei. Não me deparei com nenhum “comercial de margarina”, tampouco, com aquele ideal de gravidez romantizada! Contudo, não atribuo isso à deficiência e, sim, às mudanças que chegam com a vida adulta. Idealizamos muito quando jovens ou em uma época qualquer da vida e hoje…Continua

Ser mãe é... com Juliana Oliveira

Ser mãe é… com Juliana Oliveira

Beth Caetano: Como foi ou está sendo reconhecer seu corpo como mãe? Juliana Oliveira: Me senti muito linda durante…Continua

Diferença é o que temos de mais comum

A Diferença é o que temos de mais comum

A minha diferença é o que temos de mais comum. Gosto de ver que meu salto pode te ajudar a enxergar melhor sua…Continua

A Tecnologia do Afeto

A Tecnologia do Afeto

Que este vídeo seja motivo de mobilização e que nos tire de qualquer paralisia que exista em relação a exercermos nossa…Continua

Praia Para Todos

Liberdade de ser

É um projeto verdadeiramente para todos! É um evento que torna o verão uma estação para meditação, para aprendermos …Continua

E ele chegou!

E ele chegou!

Inspiração embaixo de 40 graus parecendo 50, não deixa a cidade maravilhosa menos bonita, mas que fica bem difícil lá…Continua

Feliz Natal e um ótimo Ano Novo

Feliz Natal e um ótimo Ano Novo

Natal é para viver todo dia, de preferência perto de quem amamos. O mundo precisa urgentemente de mais natais…Continua

Aniversário CVI-Rio

Quase 3 décadas…

Muitas histórias. Sonhos realizados. Aprendizagens intensas e permanentes que sempre nos levaram para um lugar onde o sentimento mais constante é o de gratidão. Gratidão por compartilhar momentos que nos mostram a importância de caminhar e crescer junto. Gratidão por tantas conquistas, por inúmeros sorrisos e olhares felizes de quem caminhou para frente e na certeza que encontrou o caminho e que este é o certo. Orgulho e desejo de comemorar estes 28 anos…Continua

Colocando o sapato do outro

Colocando o sapato do outro

Hoje, a palavra que ficou forte para mim foi DÚVIDA. Logo cedo, essa palavra me colocou para pensar…nesses tempos de violência extrema em que todas as atrocidades foram banalizadas e podemos assisti-las apenas ligando a TV ou, mais rápido ainda, conectadas a um celular, andamos com pressa e nem sequer olhamos as pessoas na rua, e mesmo sem querer, automaticamente, se alguém nos chama a atenção já temos um olhar julgador. Há pouco tempo vindo pro trabalho, parei num sinal…Continua

Uma bela dança

Uma bela dança

Acredito que para cada olhar de espanto das pessoas ao se depararem com meu carro adaptado, daqui a pouco tempo…Continua

Boulevard Olímpico

Saudades olímpicas

Temos um novo prefeito na nossa Cidade Maravilhosa. Ainda na ressaca embalada pelo legado da saudade dos jogos olímpicos e paralímpicos, esperamos, nós pessoas com deficiência, não ser lembradas apenas no momento eleitoral. Todos nós, apesar de sabermos os mecanismos da política, queremos melhorar nossas condições de ir e vir dentro da cidade. Outro dia, andando de VLT, fiquei surpresa quando fui pagar a passagem e me disseram que por ser cadeirante…Continua

Ser deficiente e ser feliz: isso é possível?

Ser deficiente e ser feliz: isso é possível?

Quem nunca ouviu a aquela famosa frase? “Mesmo preso a uma cadeira de rodas, fulano leva uma vida normal.” Tal sentença, …Continua

Vale a pena ler e vir para a Paralímpiada!

Vale a pena ler e vir para a Paralimpíada!

No dia sete de setembro de 2016 começam os Jogos Paraolímpicos e as televisões vão encher a tela com as conhecidas expressões: super-heróis, superação, exemplos de força de vontade e outros exageros. Os lesados medulares, os paralisados cerebrais, os amputados e os cegos são as deficiências que serão apresentadas aos telespectadores. Fruto de várias causas, principalmente as doenças e a violência urbana, muitos nasceram com elas e outros a adquiriram em geral até a…Continua

Para Sempre Alice

“Para Sempre Alice”

O Setor de Suporte entre Pares fez sua primeira sessão pipoca com os jovens aprendizes, no dia 22 de junho. Quero deixar…Continua

"Cadeirante com asas"

“Cadeirante com asas”

“Pés, para que os quero, se tenho asas para voar?” – Frida Kahlo Há pouco mais de um ano me bateu uma vontade louca … Continua

Viajando Sozinha

Viajando Sozinha

“A vida é uma sequência de encontros inéditos com o mundo e, portanto, ela não se deixa traduzir em fórmula de nenhuma…Continua

Acessibilidade pra que te quero?

Acessibilidade para que te quero?

Quando escutamos a palavra acessibilidade, principalmente, dentro do contexto arquitetônico, o que nos vem à cabeça?…Continua

AMIGOS, PAIXÕES E FELICIDADE

Amigos, Paixões e Felicidade

Uma das maiores apreensões de quando nos tornamos deficiente é a questão do relacionamento. Dúvidas de como reagirão…Continua

Dia de folia

Dia de Folia

Já é carnaval! O CVI-Rio tem o prazer de anunciar que Renata Carvalho, mais conhecida como Renatinha, vai ser musa pelo…Continua

Uma Amendoeira Imaginária 370-x-270

Uma amendoeira imaginária

Não tenho uma amendoeira em minha janela e nem posso descortinar a Lagoa por entre os galhos desta frondosa amendoeira. Minha janela dá para a parede de um prédio vizinho, pouco acrescentando de beleza a este cenário que me dirige para o mundo. Sendo assim, nada de pássaros, nada de ninhos, nada da magia que vem deste vão aberto, dando margem à fantasia do voar sem direção? Por incrível que pareça, nesta janela, recebo a visita de pardais e bem-te-vis, e ao longe…Continua

Artigo Ninhos 370-x-270

Ninhos

Na minha janela tem uma amendoeira, ou melhor, se considerarmos o meu endereço e CEP, é mais apropriado dizer que na enorme amendoeira de 15 metros tem uma janela. Por ela, já às cinco da manhã – horário de verão, mas ainda primavera – entram todos os sons do dia. Não só por serem tão diferentes dos sons noturnos, eles anunciam com uma precisão que apenas a rotina traz, que começa tudo outra vez. Considero um imenso privilégio poder escutar da maneira que posso…Continua

Ponto de Vista 370-x-270

Ponto de Vista

Ontem fui ao Mirante Dona Marta e ao Heliponto que ficam no mermo lugar. Subindo pelo Cosme Velho e seguindo à direita, passamos pelo pórtico de boas vindas a Floresta da Tijuca, maior parque Florestal urbano do mundo. Vi saguis, gaviões e cigarras anunciando a chuva de hoje. No caminho cruzamos com diversas vans devidamente cadastradas para o serviço de passeio turístico até o Cristo Redentor e, também, com jipes característicos para transporte, não apenas pela floresta…Continua

escada-avião1

Barreiras atitudinais

Não sei se foi uma combinação de um estado de indignação misturado com medo e cansaço, só sei que o resultado de forma alguma proporcionou um ambiente de calma e tranquilidade no que deveria acontecer em um embarque feito nas primeiras horas da madrugada. Conto com o fato de ter acumulado um desconforto e uma experiência negativa na última viagem quando precisei fazer todo procedimento para a aeronave, no sistema de remota. Isso acontece quando…Continua

Acessibilidade atitudinal e suas derivações 370-x-270

Acessibilidade atitudinal e suas derivações

Outro dia, tirei uma semana de férias do CVI-Rio e fui viajar. Estava muito ansiosa. Imagino que a maioria das pessoas fica do mesmo jeito quando se trata de uma viagem de avião que tem, no mínimo, três horas. Então, coloquei todos os meus fluídos positivos em ação e fui! O motivo da viagem, por si só, já justificava qualquer infortúnio ou desagravo. Tinha muito desejo de enfrentar qualquer fato, por menos positivo que fosse, para compartilhar com uma grande amiga da adolescência…Continua

Acessibilidade e funcionalidade 2370-x-270

Acessibilidade e funcionalidade – Parte 2

Há poucos dias estive no Jardim Botânico do Rio de Janeiro e fui presenteada com mudanças significativas. Depois de tanto tempo, pude ver a equação barreira x impacto do ambiente = funcionalidade ser resolvida. E lá estava eu…feliz em meio ao pouco do que restou da nossa mata atlântica, passeando numa trilha com direito a macacos-prego fazendo pose para foto, pássaros, saguis, mosquitos e o som do riso dos macacos. Algumas modificações, é claro que, foram feitas, mas…Continua

Acessibilidade e funcionalidade 370-x-270

Acessibilidade e funcionalidade

De como são feitas as coisas e as pessoas? Movidas mais por nossas paixões, ou falta delas, do que por nossas ações, criamos espaços e situações tão intransponíveis para nossa mobilidade urbana, como escadarias, que são incompatíveis com a realidade de uma sociedade emergencial e cada vez mais cansada e envelhecida. Talvez porque não nos sentimos satisfeitos no trabalho, no deslocar, na vida pessoal, no lazer ou prazer quase obrigatório, já previamente estabelecido e…Continua

Autonomia e escolha 370-x-270

Autonomia e escolha

Passei quase 30 anos resistindo a cadeira motorizada por dois motivos simples e claros: burrice e preconceito. Achava que iria ficar mais estigmatizada ainda, associando deficiência a doença e a uma limitação que tem muito mais a ver com as nossas escolhas e desejos do que com qualquer habilidade física que uma deficiência possa determinar. Agora com minha nova e motorizada cadeira, ganhei vida nova! Ganhei a experiência de uma pessoa vivida há anos, mas com espírito…Continua