SUS recebe laser mais preciso para tratar retina
O Hospital São Paulo, na capital, recebeu em fevereiro um novo aparelho de laser para tratar doenças de retina por meio de fotocoagulação personalizada - quando o médico consegue programar a aplicação do laser de acordo com o problema. A compra foi realizada em parceria com o Instituto da Visão da Unifesp (USP).
Chamado de Pascal (laser de varredura padrão, na sigla em inglês), o equipamento é o primeiro na América Latina e está disponível somente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Deve ser aplicado para tratar, principalmente, retinopatia diabética - doença ocular manifestada por alterações nos vasos sanguíneos que circulam na região causadas pelo diabetes e principal causa de cegueira entre pessoas de 25 a 60 anos. É usado há dois anos em outras partes do mundo e é considerado um dos melhores tratamentos para esse problema.
Em comparação com os aparelhos de laser disponíveis no Brasil para tratar problemas dessa região do olho, o Pascal se mostra mais preciso e torna o tratamento mais rápido.
"Esse novo laser é aplicado de maneira diferente na retina. Normalmente, a luz queima a região de maneira descontrolada; nesse caso, é possível aplicá-la em pulsos curtos. Isso permite ao médico atuar sobre a retina sem destruir a área em volta, com menor difusão do calor e menos dor", afirma o oftalmologista Rubens Belfort Jr., presidente da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina e médico do Hospital São Paulo.
Segundo Belfort, a dor e o incômodo durante o tratamento podem fazer com que o procedimento convencional seja interrompido, postergando o resultado final. "O indivíduo vem, sente dor e, às vezes, não conseguimos fazer os dois olhos no mesmo dia", diz. Em geral, são necessárias ao menos quatro sessões de laser convencional em cada olho para completar o tratamento contra retinopatia diabética. Com o novo aparelho, é possível concluir a terapia em até duas sessões.
O aparelho deverá ser usado em mutirões de tratamento de diabetes ocular organizados pelo Hospital São Paulo.
O acesso ao tratamento com laser de Pascal é restrito somente a pacientes encaminhados pelo setor de oftalmologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Fonte: Folha de São Paulo.


