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Em meados da década de 70, grupos liderados por pessoas das várias áreas de deficiência começaram a organizar-se para representar o segmento.

Acompanhando o movimento mundial desencadeado pela Organização das Nações Unidas (ONU), ao instituir, em 1981, o Ano Internacional das Pessoas Deficientes, foi deflagrado com mais força e representatividade o movimento político-reivindicatório das pessoas com deficiência, firmando importantes lideranças, e transferindo para estas lideranças o poder de representação das próprias demandas.

O trabalho destas lideranças foi decisivo para uma nova concepção em relação às pessoas com deficiência, quando então o paternalismo e a tutela foram sendo substituídos pela equiparação de oportunidades e pelo poder de representação social do próprio segmento.

No final da década de 1980, em meio a debates sobre a nova Constituição Federal, o Brasil vivia um momento de abertura em que vários grupos da sociedade encontravam-se organizados para resguardar seus direitos.

Inserido neste movimento da sociedade em geral, o movimento político das pessoas com deficiência conseguiu ampla participação na Assembléia Constituinte, de forma a garantir que esse segmento da população não fosse ignorado pela nova redação do documento. Vários capítulos da nova Constituição Brasileira contemplaram a inclusão dos direitos das pessoas com deficiência.

Foi nesse contexto que algumas dessas lideranças entraram em contato com as idéias do Movimento de Vida Independente, originário de Berkley, Califória. O conceito de oferecer serviços de forma individualizada, utilizando pessoas também com deficiência como facilitadores do processo, trouxe uma quebra do paradigma assistencialista.

Proporcionar o fortalecimento da pessoa com deficiência para que ela busque alcançar por si mesma suas realizações pessoais, consciente e responsável por suas escolhas e ações, foi visto como um caminho para as questões desse segmento e foi adotado não com a intenção de se opor, mas de complementar o modelo médico vigente.

Assim nasceu o Centro de Vida Independente do Rio de Janeiro (CVI-Rio), o primeiro CVI da América Latina, que desde dezembro de 1988 desenvolve serviços, programas e projetos em sintonia com seus objetivos e sua missão de promover a inclusão social da pessoa com deficiência por meio de seu fortalecimento individual.

Nos primeiros anos, o CVI-Rio recebeu recursos provenientes da Fundação Ashoka, que contemplou uma de suas fundadoras com premiação pelo projeto de criação, implantação e desenvolvimento da entidade. Esses recursos, somados aos apoios do Rotary Club do Brasil, viabilizaram a infra-estrutura básica de funcionamento.

O estabelecimento de uma parceria com o Laboratório e Oficina de Treinamento e Desenvolvimento de Protótipos (LOTDP), ligado ao Departamento de Artes e Design da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), por meio do desenvolvimento de projetos acadêmicos assessorados pelo CVI-Rio, resultou, inicialmente, na transferência da sede do CVI-Rio para um espaço cedido nas dependências da Universidade, e em um segundo momento, na criação da Oficina de Tecnologia Assistiva para o desenvolvimento de equipamentos auxiliares (ajudas técnicas).

Além dessa, outras importantes parcerias com grandes empresas foram firmadas nos anos seguintes, inclusive a primeira com uma agência internacional, em 1993. Ao longo de cinco anos, a organização holandesa ICCO (Organização Intereclesiástica para a Cooperação ao Desenvolvimento) atuou junto com o CVI-Rio em ações que lhe permitiram estruturar melhor a equipe de trabalho e aumentar seu raio de ação.

Em vários momentos de sua trajetória, o CVI-Rio recebeu apoio da Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE) para a promoção de congressos, seminários e cursos de âmbito nacional e internacional.

Ao longo dos anos, o CVI-Rio obteve o primeiro contrato de prestação de serviços com uma empresa pública, firmando parceria com a CEDAE – Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, empregando cinqüenta pessoas com deficiência no mercado de trabalho formal; e mais tarde, com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ) e com a PETROBRAS S.A, com a qual o CVI-Rio ainda hoje faz a gestão do SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente).

O estabelecimento desses convênios e parcerias com organizações governamentais e não-governamentais, agências de âmbito nacional e internacional, além de empresas públicas e privadas garantiu ao CVI-Rio uma expertise ímpar em suas várias áreas de atuação, serviços e cursos.

Passadas duas décadas, muitas transformações ocorreram não apenas no interior do CVI-Rio, mas também na realidade na qual ele se insere. O cenário mudou e a sociedade também. Apesar disso, permanece a perspectiva de ser um meio de promover, em particular, a capacidade das pessoas com deficiência em buscar e alcançar seus objetivos, além de promover a visão inclusiva da sociedade.

A expectativa é dar continuidade às atividades com o mesmo empenho e competência que marcaram todos esses anos.