Até meados dos anos 70, a questão da deficiência no Brasil
sempre foi encaminhada pelos técnicos ou responsáveis
considerados “especialistas” na área. A meta principal
era o atendimento especializado às pessoas com deficiência
dentro das instituições.
Tal circunstância decorria do pensamento vigente de que
as pessoas com deficiência eram incapazes de tomar as
mais simples decisões em relação as suas vidas. Consequentemente,
eram tuteladas pela família, pelas instituições e pelo
Estado, com repercussão sobre a qualidade de vida que
podiam desenvolver, já que estavam excluídas do meio social,
com poucas oportunidades de acesso à educação, profissionalização,
trabalho e lazer.
Em 1979, acompanhando o movimento mundial desencadeado
pela ONU, ao instituir, em 1981, o Ano Internacional das
Pessoas Deficientes, alguns grupos liderados por pessoas
das várias áreas de deficiência, começaram a integrar-se,
para organizar o segmento.
Este acontecimento, deflagrou o movimento político-reivindicatório
das pessoas com deficiência, firmando as principais lideranças
que organizaram e desencadearam o movimento, e transferindo
para estas lideranças o poder de representação do próprio
segmento. A partir daí construiu-se os principais instrumentos
de defesa dos direitos das pessoas com deficiência para
o pleno exercício de sua cidadania.
O trabalho destas lideranças foi decisivo para uma mudança
de postura em relação às pessoas com deficiência, onde
o paternalismo e a tutela foram sendo substituídos pela
equiparação de oportunidades e pelo poder de representação
do próprio segmento no social.
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